PT Momento presente = processo completo

Vale January 26 at 17:02
All blogs




Hoje, em uma noite particularmente sombria, estou concluindo um trabalho que, ao que parece, será entregue em breve. Ao revisar todo o material coletado, as pesquisas realizadas e, acima de tudo, as consultas mútuas entre colegas, não pude deixar de repensar a importância do processo e todas as etapas que seguimos para obter o resultado final.

Admito que dediquei muito tempo a isso, tanto que me convenci de que não conseguiria cumprir o prazo, mas aqui estamos. Estamos a um passo da entrega e sinto que fiz e dei tudo o que podia.

Mas o lado positivo de todo esse “trabalho árduo” e do tempo imenso gasto está na agradável sensação de ter me concentrado, dedicando a máxima atenção a cada etapa do processo. Porque não se trata apenas de receber elogios, avaliações ou críticas construtivas, mas de reconhecer pessoalmente o esforço, o empenho individual sem o qual não teríamos conseguido concluir a tarefa que nos foi confiada. Em suma, para mim, tornou-se uma questão pessoal, detesto a negligência profissional e os atalhos fáceis demais.

Por esse motivo, há algum tempo, tenho me esforçado para obter os melhores resultados, ou pelo menos tento, sem deixar de lado todas as ações necessárias que antes evitava propositalmente para reduzir o tempo.

Sim, eu tinha pressa em terminar e perdia muitas coisas, talvez as mais importantes. Ultimamente, compreendi que todas as ações que realizei, as energias que empreguei, me levaram exatamente onde eu queria chegar. Mas, independentemente disso, o caminho para chegar lá permitiu que eu e meus colegas estabelecêssemos uma relação de confiança e respeito mútuo, algo bastante raro entre pessoas que são obrigadas a colaborar em um projeto.

Todo esse preâmbulo para dizer que, ultimamente, quando estou prestes a começar um novo trabalho, muitas vezes me pego repensando o ritual da cerimônia do chá (não me perguntem o motivo, sinceramente não saberia responder...). A cerimônia do chá (chanoyu ou chadō) resume a importância de todo o processo como um caminho para o aperfeiçoamento, onde cada ação representa harmonia e respeito, tudo feito para “sentir” e estar totalmente presente.

Para mim, representa a síntese perfeita da elaboração e da ação consequente para qualquer projeto que tenha em mente. Claramente, esta é a minha visão pessoal de como um trabalho bem feito deve ser realizado, porque, para ser sincero, é muito fácil perder a concentração nos dias de hoje.

A cerimônia do chá representa talvez o exemplo mais significativo para compreender a importância do processo como fulcro, colocando o objetivo em segundo plano. Acredito que a cerimônia seja a metáfora certa, onde cada ação realizada leva a um resultado de harmonia interior, a mesma que sentimos quando concluímos uma tarefa e obtemos satisfação e sentimentos positivos.

Mas vamos tentar lembrar algo sobre a cerimônia do chá.

Dentro do ritual coexistem quatro princípios fundamentais:

wa (harmonia)

kei (respeito)

sei (pureza)

jaku (tranquilidade)

Através destas etapas, o chá japonês transforma-se de uma simples bebida numa experiência que convida à interioridade, à ligação entre o hóspede e o anfitrião e à apreciação do momento presente.

Mas será que estes quatro princípios podem realmente ser aplicados na vida quotidiana? Talvez, inconscientemente, alguém os pratique sem saber. Vamos tentar refletir sobre isso.


O primeiro princípio (wa), o da harmonia, se aplicado no dia a dia, poderia consistir em interagir com o próprio ambiente e com as pessoas com quem nos encontramos no momento presente.

Assim, por meio de ações simples, como preparar refeições para nossa família, tentar nos conectar com o ambiente ao nosso redor (neste caso, nossa casa), talvez comprando objetos que nos dão de alguma forma uma sensação de “calor”, o mesmo calor (se quisermos) que sentimos quando pegamos uma xícara de alguma bebida quente, seja chá, café ou outra bebida com as duas mãos, obtendo conforto e sentindo uma espécie de, permitam-me o termo, “paz interior”.

O segundo princípio (kei), o que diz respeito ao respeito, é talvez o mais desafiador, porque, de certa forma, nos obrigaria a acolher o outro, respeitando-o e promovendo a gentileza e a escuta.

No ambiente de trabalho, quantas vezes conversamos com um colega, ouvindo-o sem nos impormos, sem interrupções? Já vi cenas indescritíveis... e, no entanto, às vezes isso acontece, porque todos têm pressa de falar e nunca de ouvir... então talvez devêssemos proceder reservando ao nosso interlocutor uma forma digna de reverência, reconhecendo sua dignidade, como a do mestre da cerimônia do chá (Chajin), que manuseia todos os instrumentos do ritual com extrema delicadeza e respeito. Parece fácil, não é? Mas não é nada fácil.

O terceiro princípio (sei), o da pureza, consiste em cuidar, e isso a gente pratica todos os dias, quando, por exemplo, limpamos a casa diariamente como um ritual com gestos simples, automáticos, mas que, uma vez realizados, nos fazem sentir bem.

O quarto e último princípio (jaku), o da tranquilidade, é alcançado após muita prática, fazendo tudo sem esforço e com precisão. Pode-se relacioná-lo ao trabalho do cozinheiro, que deve “manter” a calma e a precisão, gerenciando toda a cozinha no caos do serviço.

Agora, de acordo com o bom senso, no contexto de trabalho, podemos tentar converter alguns desses princípios em algo mais realista.

Quando estamos no meio de uma reunião ou de um intervalo para o café, adotamos certos comportamentos que parecem banais, mas que de alguma forma podem desestabilizar as relações futuras. Devemos nos esforçar para ser respeitosos com o outro, iniciar conversas mais “honestas” na medida do possível, permitir a escuta mútua, tentando evitar críticas fúteis ou discussões acaloradas por contrastes facilmente superáveis.

No entanto, um ambiente de trabalho mais acolhedor e livre de tensões é talvez um sonho impossível, mas, refletindo cuidadosamente, não parece assim tão irrealizável.

Quantos de nós tivemos a sorte de encontrar um ambiente de trabalho ou escolar sem tensões? Provavelmente poucos... as reclamações estão na ordem do dia.

Então, como podemos criar condições favoráveis para obter um trabalho bem feito? Para muitos, isso é apenas teoria, o foco está diretamente no resultado e, portanto, o ambiente, embora às vezes opressivo, acaba sendo apenas um pano de fundo, e, infelizmente, que pano de fundo...

Não focar no processo e em todas as ações necessárias que o envolvem não permite ampliar a própria rede de apoio, seja ela qual for. E muito provavelmente não traria benefícios psicológicos e satisfações pessoais.

Em suma, devemos agir intencionalmente para preparar o terreno para o melhor resultado possível, seja em colaboração com os outros ou individualmente.

No campo educacional, para desenvolver a difícil área da reciprocidade, implementa-se toda uma série de passos e ações típicas do processo de aprendizagem, justamente para colocar no centro das atenções como estudar realmente bem, para depois pensar apenas num segundo momento no resultado final.

São fases que envolvem métodos de aprendizagem personalizados para motivar o aluno, e tudo isso inclui o apoio constante de um guia, seja um professor, um educador, os colegas, que, por meio de atividades em grupo com o objetivo de incentivar reflexões e colaborações, podem contribuir para o alcance do objetivo final.

É assim que acontece se quisermos que aconteça. Até pouco tempo atrás, eu acreditava principalmente nos objetivos alcançados rapidamente. Mas, apesar do meu empenho, às vezes esqueço a beleza de todo o processo, e é nesse momento que tento lembrar as etapas da cerimônia do chá. Porque é justamente com pequenos passos que se constrói um processo voltado para o objetivo final, com uma série de ações realizadas conscientemente, em circunstâncias adequadas e, possivelmente, em um contexto livre de distrações.

E vocês, em geral, quando precisam trabalhar para atingir um objetivo, que importância dão a todo o processo? Seguem alguma etapa ou avançam rapidamente para alcançá-lo no menor tempo possível?


EN JA ZH KO ID FR PT RU ES DE IT